Projeto de Estágio

A Paisagem como Categoria principal para o Saber Geográfico.


Este projeto será regido na cidade de Jacibina-Ba na Escola Estadual Padre Alfrede Haasler, na turma do 6º ano A, na disciplina de Geografia, sob a regência da docente Cátia Jeane Lima, com a finalidade de cumprir carga horária da disciplina Estagio Supervisionado III.

Orientadores: Marcone Denys dos Reis Nunes
Dolores Bastos Hine


2.0 Introdução:

Este trabalho será ministrado pelos alunos do curso de Licenciatura Plena em Geografia da Universidade do Estado da Bahia para cumprir carga horária da disciplina Estagio Supervisionado III. Realizado na Escola Estadual Padre Alfredo Haasler na sala A do 6º (Sexto) ano do Ensino Fundamental II no turno matutino na cidade de Jacobina-BA, a referida turma contem cerca de 35 alunos entre 10 e 12 anos de idade, os quais apresentam uma certa inquietação, porém mostram-se interessados nos temas relacionados a geografia, logo eles trazem consigo certos costumes da série anterior e assim precisam de maior cuidado e atenção, onde colocam o 6º ano do Ensino Fundamental II como uma extensão do 5º ano do Ensino Fundamental I para que possam adaptar-se a essa nova fase do seu aprendizado.
Procurando atender a todas as necessidades da classe o presente projeto utilizará a paisagem como a principal categoria para o saber geográfico, buscando a contextualização do conteúdo com o espaço vivido pelo aluno.    
  
3.0 Justificativa:

O presente projeto surge da necessidade de propor uma metodologia de ensino que consiga inovar a didática com um método que alcance bons resultados na aplicação de temas geográficos e que neste contexto se estabeleça a aprendizagem.  Sendo assim a utilização da categoria paisagem tem a finalidade de despertar a atenção e a curiosidade do alunado para temas que parecem distantes de sua realidade proporcionando um aprendizado mais prazeroso.
 Atualmente, assistimos a uma didática rotineira que apresenta um tema em sala de aula e não esclarece ao educando o porquê de estudar tal assunto, desprezado a contextualização, algo importante e imprescindível no processo de ensino aprendizagem. Neste sentido a paisagem deve ser estudada em todas as suas heterogeneidades naturais, analisando seu suporte e sua cobertura, buscando entender as razões de sua existência.

4.0 Problematização:

A utilização da categoria paisagem no ensino da geografia pode tornar o conteúdo mais próximo da realidade do aluno?  


5.0 Questões Norteadoras:

·         Como compreender a hidrosfera e a atmosfera terrestre utilizando a paisagem como método principal?
·         A análise da paisagem consegue explicar os conteúdos da geografa?
·         O estudo da paisagem local esclarece a dinâmica da estrutura terrestre?
·         A utilização da paisagem como método estimula a curiosidade do aluno?
·         A paisagem é uma categoria que facilita a compreensão do conteúdo?

6.0 Objetivos:
6.1 Objetivo Geral:
Este projeto tem como objetivo desenvolver uma metodologia de ensino que consiga atrair o interesse dos alunos, utilizando a paisagem como categoria principal para o estudo da geografia.
  
6.2 Objetivos Específicos:
·               Identificar a paisagem como uma importante categoria no ensino da geografia.
·               Definir paisagem como método eficaz no ensino/aprendizagem.
·               Comparar a paisagem local estabelecendo relação com o conteúdo.
·               Utilizar a paisagem para aproximar o conteúdo da realidade do aluno.
·               Compreender e diferenciar o conjunto de paisagens discutindo o espaço local.

7.0 Referencial Teórico:
A geografia, como disciplina escolar, tem como objetivo contribuir para a formação integral dos educandos, e eles devem sentir-se parte integrante do espaço em que vivem. O papel dessa área do conhecimento é refletir, compreender, observar, interpretar e saber pensar o espaço geográfico, que é um produto histórico, que revela as práticas sociais das pessoas em que nela convivem.  Assim, é importante que desde cedo os educandos aprendam a ler o mundo, a entender a complexidade da realidade e identificar-se como agentes social dele. Nessa perspectiva, cabe ao educador da Geografia apresentar as paisagens ao discente, para que o mesmo consiga identificar suas diferenças, entendo que elas são naturais, humanas , históricas e sociais, e que sofrem alterações humanas junto a fatores da natureza.  Nesse sentido Corrêa diz que “a paisagem tem se constituído em um conceito-chave da Geografia, tem sido vista como conceito capaz de fornecer e identidade à Geografia num contexto de afirmação da disciplina.”
      A observação da paisagem propicia a compreensão da complexidade do espaço geográfico num determinado momento do seu processo histórico. Ela mostra resultado da vida das pessoas, dos processos produtivos e da transformação da natureza. Conforme os PCNS, “a paisagem tem um caráter especifico para a Geografia, distinto daquele utilizado pelo senso comum ou por outros campos do conhecimento. È definida como sendo uma unidade visual, possui uma identidade visual, caracterizada por fatores de ordem social, cultural e natural, contendo espaços e tempo distintos”.
Cavalcanti “considera importante incluir no currículo escolar os estudos da paisagem. Como resposta às novas necessidades de formação. A utilização do estudo da paisagem que é um objeto de estudo complexo, é possível desenvolver determinadas atitudes, valores e normas básicas para a formação dos cidadãos”. O aprimoramento do educando como uma pessoa humana incluiu a formação ética e o desenvolvimento da autonomia intelectual e do pensamento crítico.
Para Bertrand, “a paisagem é um sistema, social e natural, subjetiva e objetiva, espacial e temporal, produção material e cultural, real e simbólica”. Assim a sua leitura depende do ponto de vista de quem a observa e fica aos educadores o desafio de possibilitar aos alunos as condições para que construam e reconstruam o seu senso critico sobre o que se vive e o que aprende-se na escola. Concordando Carlos afirma que “a paisagem mostra a realidade de um lugar ou o espaço em determinado momento, e cada um vê a paisagem a partir de uma visão, conforme seus interesses, concepções e experiências”. Isso significa que é preciso ultrapassar a paisagem visível. Descortiná-la para chegar a seu verdadeiro significado. Ela precisa ser vista além da sua aparência, precisa-se buscar explicações para o que esta detrás da paisagem. Para Santos, “toda paisagem é simbólica, é também aquilo que se imagina e que recebe diferentes valorações e sentidos culturais”.
Quando se utiliza a paisagem como categoria para o Ensino da Geografia procura-se compreender e diferenciar o conjunto das paisagens, entendendo que a paisagem ao se apresentar desta ou daquela forma, muitas foram as interferências, seja da sociedade, dos processos produtivos e dos próprios movimentos da natureza, visto que a fisionomia da paisagem também se explica pelos agentes internos e/ou externos da natureza. Santos também considera que “o lugar mostra, através da paisagem, a historia da população que ali vive, os recursos naturais de que dispõem e a forma como utiliza tais recursos”. Percebe-se então que, a partir da paisagem é possível compreender em parte a realidade num determinado momento, pois a paisagem esta em constante mutação.
Cavalcanti alerta que “cabe ao ensino trazer a paisagem para o universo do aluno, para o lugar vivido por ele, o que quer dizer trazer a paisagem conceitualmente como um instrumento que o ajude a compreender o mundo em que vive”. Ou seja, fazer a contextualização para que o aluno perceba-se parte da paisagem, interessando-se mais e percebendo o sentido do que se estuda na escola, Carlos considera que:
É importante superar a visão do espaço como palco, como suporte de nossa existência mostrando-o como algo dinâmico e altamente influenciador de nossa vida, mostrando aos alunos que as vivências e reflexões espaciais nos acompanham a todo instante e que depende de nossa classe social e de também de nossa condição de etnia, gênero, religiosidade e outras questões. 

Por fim, percebe-se que é possível compreender o espaço geográfico de diferentes formas, usando diferentes categorias e conceitos chaves da geografia, pois o mais importante é buscar um processo ensino/aprendizagem preocupado em formar pessoas mais comprometidas e com raciocínio e conhecimento claros a respeito do espaço em que ocupam. 

8.0 Metodologia:

Buscaremos trabalhar na forma de regência com atividades diversas, utilizando as distintas mídias, gincanas, produção textual, grupos de discussão, seminários, leitura de textos gráficos e mapas e aula de campo. Favorecendo ao alunado a contextualização dos mesmos, para que possa assim estabelecer um ensino-aprendizagem de qualidade, possibilitando que ele perceba-se cidadão, sendo capaz de realizar mudanças significativas no contexto no qual está inserido.

9.0 Avaliação:
A avaliação será feita de forma processual no decorrer do projeto, analisando participação, interesse, trabalho em equipe, disciplina e comprometimento com as atividades propostas.
10.0      Cronograma:


Meses
Dias
Julho
20, 21 e 27
Agosto
3, 4, 10, 11, 17, 18, 24, 25 e 31
Setembro
1, 8, 14, 15, 21, 22, 28 e 29.

                   




11.0      Referências Bibliográficas.

BERTRAND, Gerorge. Paisagem e Geografia Física Global: Esboço Metodológico. São Paulo Instituto de Geografia da USP, 1971 ( Caderno de Ciências da Terra, 13).

CARLOS, Ana F. Alessandri (org). Novos Caminhos da Geografia.  São Paulo: Editora contexto, 2001

CAVALCANTI, Lana de Souza. Geografia, Escola e Construção de Conhecimentos. São Paulo. Papirus, 2004.

CORREA, Roberto Lobato e ROSENDHAL, Zene (orgs). Paisagem, Tempo e Cultura, Rio de Janeiro, EDUERJ, 1998.

SANTOS, Milton.”Um sábio sem pressa”, Entrevista in: Boletin Gaucho de Geografia, nº 27, Por Alegre, 2001.